Para muitas pessoas, eles passam despercebidos pelos corredores da Santa Casa da Capital, o maior hospital do Estado, que recebe, além do interior, pacientes de países vizinhos e até de cidades que fazem divisa com São Paulo. No entanto, para quem está internado, o grupo faz toda a diferença no processo de recuperação.
Formada por cerca de 60 voluntários, a Equipe da Esperança faz jus ao nome e, mais do que assistência social, leva aos pacientes e familiares acompanhantes, o ânimo para combater a enfermidade e superar a tristeza.
A presidente do grupo, missionária Claudia Costa, 43, conta que a característica de auxiliar o paciente de forma global é recente e começou a ser aplicado no início dos anos 2000. No passado, especialmente na época da fundação do grupo, há 23 anos, o objetivo da fundadora, Maria Aparecida Moraes D’Ávila, era apenas buscar doações e organizar eventos, ao lado de um grupo de senhoras, para ajudar os pacientes carentes.
Ao longo das décadas, o projeto de atender tanto o lado espiritual quanto o financeiro dos internos, foi tomando corpo e se concretizou com as equipes dos últimos dez anos. Atualmente, segundo Cláudia, a Equipe da Esperança conta com cinco projetos, desenvolvidos em todo o hospital, praticamente em todos os dias da semana.
Voltado para as crianças internadas, existe o Criança Morena, onde os voluntários levam brincadeiras e leitura de histórias. Dentro deste projeto, um dos personagens que mais fazem sucesso é o da palhaça Florida, interpretada pela própria Cláudia.
Com maquiagem e roupas coloridas, ela passa nos leitos contando historias que buscam passar valores, segundo ela, esquecidos. “Não falo só de temas bíblicos. Nas historias procuro falar de solidariedade ao próximo e amor”, diz. Uma vez por mês os voluntários também proporcionam a exibição de filmes para os pequenos, que também beneficia as crianças que ficam na creche dos servidores do hospital.
Para Cláudia, o trabalho desenvolvido com as crianças tem um significado especial, já que muitas não compreendem a necessidade da internação e, mesmo na companhia de um familiar, ficam deprimidas. “É difícil para elas ficarem longe dos irmãozinhos, do seu quarto e dos brinquedos. É pior quando ela passa meses no hospital”, conta.
Por isso, o momento em que o grupo chega no setor, é motivo de festa. “Uma vez teve uma garotinha com problema renal que ficava me esperando toda semana para ouvir as historias e se eu atrasasse um minuto, já ficava ansiosa”, lembra.
O mesmo tipo de afeto é levado aos adultos através do programa “Palavra Amiga”, onde os voluntários se revezam todos os dia da semana para atender todos os leitos. O principal benefício da ação, conforme conta a presidente do grupo, é dar a oportunidade do paciente desabafar e falar sobre seus problemas. “Nem sempre eles falam da doença, preferem contar seus dramas familiares”, relata. Mesmo os que tem acompanhantes optam por conversar com os voluntários.
Segundo Cláudia, o fato de serem pessoas estranhas da família, facilita a conversa, pois o paciente não teme um julgamento. Para os que seguem alguma religião, o grupo faz orações, mas basicamente o trabalho é dar atenção e ouvir. Durante esse momento de bate-papo, os voluntários aproveitam para identificar os pacientes com carências financeiras e providenciam roupas, objetos pessoais e até cestas básicas para garantir a alimentação da família nas primeiras semanas após a alta médica.
Mas a assistência aos adultos vai além das conversas. Duas vezes ao mês a Equipe da Esperança realiza serenatas nos setores, através de uma parceria com o a igreja Batista. Munidos de violão, o grupo percorre os quartos animando os pacientes com músicas de todos os tipos. “Acaba virando uma festa porque os pacientes interagem e também pedem canções”, diz Cláudia.
Já no programa “Celebrando a Vida”, quem recebe atenção do grupo são as mães de bebês internados na UTI neonatal. O programa acontece toda quarta-feira com voluntárias que ensinam técnicas de bordado às mães. Como muitas são do interior do Estado e nem sempre tem recursos para ficar na Capital, os trabalhos manuais acabam ajudando na renda. Para elas, o grupo também providencia kits de enxoval.
Para os internos da setor de psiquiatria, há o projeto “Rosa da Esperança” onde a equipe leva toda quinta-feira, jogos e brincadeiras que promovem a interação, já que é comum, em casos de depressão, o paciente buscar o isolamento. “Eles adoram bingos. Também levamos orientações sobre saúde e dicas de exercícios”, relata Cláudia.
Para manter todos esses projetos, a Equipe da Esperança conta com doações espontâneas e uma contribuição mensal dos voluntários, que varia de acordo com a realidade financeira de cada um. Também são organizadas as feiras da pechincha, onde os voluntários arrecadam roupas que são vendidas para os próprios funcionários do hospital, bazar do artesanato e rifas, que contribuem com o suporte financeiro.
É com esses recursos que o grupo consegue adquirir colchões, muletas e cadeiras de roda para os pacientes carentes que recebem alta.
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