
O preço praticado pela Cesta Básica em Dourados atingiu R$ 767,74 em abril, alta de 2,03% em relação a março. Ainda que em índice menos elevado, esse é o quarto mês que esse valor apresenta crescimento.
Os dados são da pesquisa desenvolvida pelo Projeto de Extensão ‘Índice da Cesta Básica do Município de Dourados’ do curso de Ciências Econômicas da Face/UFGD (Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia da Universidade Federal da Grande Dourados). O levantamento foi feito entre a última semana de abril e a primeira de maio.
Dos 13 produtos pesquisados, nove apresentaram aumento entre março e abril. A maior alta foi acumulada pela batata, de 42,36%; seguida pelo tomate com 28,90%; leite, 13,78%; arroz, 4,86%; óleo de soja, 1,98%; feijão, 1,44%; açúcar, 1,38%; margarina, 1,06% e carne, 0,03%. Quatro itens tiveram redução nos valores, são eles: a banana, - 28,57%; o pão francês, - 8,34%; o café, - 4,46%; e a farinha de trigo 2,38%.
SALÁRIO MÍNIMO
A seleção dos produtos para a pesquisa, leva em consideração a composição da Cesta Básica conforme o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que formula o indicador usado como base estabelecida pela Lei Nº 399 para compor o salário mínimo, atualmente R$ 1.621.
O levantamento aponta ainda que quem recebe esse valor como renda, chega a trabalhar 104 horas e 12 minutos, ou seja, quase a metade do mês somente para comprar alimentos. Isso porque o preço praticado chega a atingir 47,27% do salário mínimo.
Previsto na Constituição Federal, o valor deveria ser suficiente para cobrir as despesas do trabalhador brasileiro e de sua família (dois adultos e duas crianças) com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
No entanto, a alta nos preços deixa essa realidade cada dia mais distante. Em abril deste ano, o trabalhador teria que ganhar R$ 7.612,49 para conseguir cobrir todas as frentes, segundo o Dieese, ou seja, 4,70 vezes mais, demostrando que há perda salarial quando a Cesta Básica aumenta, pela redução no poder de compra.
O QUE FAZER?
O relatório da pesquisa assinado pelo economista e diretor da Face/UFGD, professor Enrique Duarte Romero, recomenda que “vale muito a pena, realizar seu próprio levantamento de preços antes de sair às compras, porque existe diferença muito significativa de preços entre um supermercado e outro com os mesmos produtos”.
A sugestão é observar a pesquisa do Procon (Programa Municipal de Defesa do Consumidor) que identifica os estabelecimentos detalhando os preços praticados em cada um deles.
A economia pode chegar a R$ 110,87, ou seja, 13,3% do total. Com esse valor, segundo o estudo, é possível comprar 28 litros de etanol num dos postos de combustíveis mais baratos da cidade ou até 37 passagens de ônibus.
NAS CAPITAIS
Apesar de alto, o valor da Cesta em abril em Dourados ficou menor do que o praticado em Campo Grande, R$ 826,89. O montante ainda é menor do que mais 16 capitais brasileiras. O maior valor da Cesta atualmente é praticado em São Paulo, R$ 906,14; seguida por Cuiabá, R$ 880,06; e Rio de Janeiro; R$ 879,03.
No caso das capitais, esse é o segundo mês de aumento dos valores. A alta nesse caso, coincide com o fechamento do Estreito de Ormuz ao final de fevereiro deste ano, fator que impacta no preço dos alimentos devido ao uso de combustíveis derivados do petróleo em boa parte da cadeia de produção de alimentos.
“O que nos deixa um pouco mais tranquilo, é que a Guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, está diminuindo de ritmo, apesar do Estreito de Ormuz continuar fechado, por este canal qual passa um quinto do petróleo que o mundo consome. Nesta avaliação, acreditamos que o petróleo já atingiu o seu maior aumento”, analisa o professor no relatório.
Mín. 18° Máx. 32°
