
O futuro do trabalho em Mato Grosso do Sul deve exigir cada vez mais habilidades comportamentais e não apenas técnicas. É o que aponta o relatório do Fórum Econômico Mundial, que analisou tendências do mercado global até 2030 e identificou o pensamento analítico como a competência mais valorizada pelas empresas.
De acordo com o documento, sete em cada dez empregadores consideram essa habilidade essencial, seguida por competências como resiliência, flexibilidade, agilidade e liderança com influência social.
O levantamento, que ouviu mais de mil empresas em 55 países, mostra que, apesar do avanço tecnológico, são justamente as capacidades humanas que ganham protagonismo. Ainda que habilidades ligadas à tecnologia, como inteligência artificial e big data, estejam entre as que mais crescem, elas não ocupam o topo da lista das mais demandadas.
Esse cenário é reforçado pela especialista em comportamento corporativo Thalita Jesus. Segundo ela, o mercado passa por uma mudança estrutural, em que as máquinas assumem tarefas técnicas, enquanto os profissionais precisam desenvolver competências humanas.
“Considerando o avanço da IA (Inteligência Artificial) e o impacto dessa tecnologia no trabalho do dia a dia, o futuro do trabalho demandará habilidades que são bem diferentes das que precisamos hoje. Atualmente, um profissional de sucesso é aquele que tem habilidades técnicas desenvolvidas, como a capacidade de criar planilhas, entender de programação ou gerir um software. Especialistas apontam que muitas dessas atividades serão facilmente realizadas pelas máquinas no futuro, com uma velocidade e precisão que humanos não conseguem alcançar”, afirmou.
Para a especialista, habilidades como criatividade, empatia, capacidade de lidar com pressão e liderança serão determinantes para o sucesso profissional. Ela destaca que a inteligência emocional tende a se tornar um diferencial competitivo.
“A capacidade de pensar de forma criativa, lidar bem com pressão, ser flexível, liderar outras pessoas e projetos, ter resiliência e empatia são algumas das habilidades esperadas do profissional na era da IA. É importante ter em mente que, num futuro não muito distante, as máquinas tratarão da parte técnica enquanto nós teremos que nos especializar em lidar com outros seres humanos de forma eficiente. O que o futuro do trabalho dominado pelas máquinas vai exigir é que nós consigamos aprimorar nosso lado humano”, completa.
Transformações no mercado de trabalho
O relatório também aponta que o avanço do acesso digital será o principal fator de transformação do mercado até 2030, impactando diretamente empresas e profissões. Entre as tecnologias com maior impacto estão a inteligência artificial, automação e sistemas de energia, com destaque para o fato de que 86% dos empregadores esperam mudanças significativas em seus negócios causadas por IA e processamento de dados.
Esse avanço tecnológico deve gerar uma dinâmica simultânea de criação e eliminação de empregos. A estimativa é de que 170 milhões de novas vagas sejam criadas globalmente até 2030, enquanto 92 milhões de postos de trabalho devem desaparecer, resultando em um saldo positivo de 78 milhões de empregos.
Profissões ligadas à tecnologia lideram o crescimento, como especialistas em big data, inteligência artificial e desenvolvimento de software. Por outro lado, funções administrativas e repetitivas, como caixas, assistentes e digitadores, estão entre as mais ameaçadas.
Requalificação será essencial
Outro ponto central do relatório é a necessidade de adaptação dos trabalhadores. Segundo o estudo, cerca de 39% das habilidades atuais devem mudar até 2030, exigindo investimento contínuo em qualificação. Nesse contexto, programas de requalificação e aprendizado ao longo da vida se tornam prioridade para empresas e profissionais.
Para Thalita, essa mudança já exige ação imediata, sendo necessário cada vez mais aprender a trabalhar aspectos de inteligência emocional. “Entendendo como seu comportamento molda e influencia seu trabalho, cultivando atitudes que demonstrem maturidade profissional e que demonstrem habilidade de lidar com cenários incertos. Basta lembrar que a inteligência emocional é a única inteligência que uma máquina nunca vai ter, já que ela nunca será capaz de sentir e expressar emoções”, conclui.
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