
Com 103,9 casos de chikungunya a cada 100 mil habitantes, Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional da doença e passa a ser o único estado do país classificado com incidência média. O Estado acumula 3.038 casos prováveis em 2026. No entanto, o número caiu em 47,8% com relação à semana anterior, após um período de explosão da doença, desde a segunda quinzena de fevereiro.
No comparativo nacional, Mato Grosso do Sul é seguido por Goiás (78,9 casos por 100 mil hab.) e Rondônia (27,1 casos por 100 mil hab.). A incidência no Brasil é de apenas 9,2 – então, MS está 91,1% acima da média nacional. O país acumula 19.537 casos prováveis, 12 mortes confirmadas e 13 em investigação. Ou seja, 15,5% dos casos e um terço das mortes estão concentradas em Mato Grosso do Sul.
Dourados, que vive epidemia da doença, registra queda de 63,8% na última semana, com relação ao mesmo período anterior. Entre 8 e 14 de março foram 94 casos, que caíram para 34 entre 15 e 21 de março. No total, são 564 casos prováveis na cidade. A Reserva indígena da cidade já registrou quatro mortes por chikungunya e a Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) atua no combate ao surto em aldeias.
O ano de 2026 se iniciou com 139 casos prováveis de chikungunya em Mato Grosso do Sul, 33,6% a mais que na última semana de 2025. Depois, começou uma escalada no número de casos, com leve queda na quarta e sexta semanas epidemiológicas deste ano.
No entanto, a partir de 15 de fevereiro, os casos explodiram, chegando ao pico de 477 suspeitas em sete dias, no início de março. Agora, o número de casos volta a fica próximo do patamar registrado na quinta e sexta semanas – início de fevereiro – mas segue acima dos resultados de janeiro e da média nacional.
Mulheres são 57% dos sul-mato-grossenses acometidos pela doença, ante a 43% de homens. Com relação à raça ou cor, 45% dos infectados em MS são pardos, 29,5% de brancos e 11,72% de indígenas.
Os dados foram divulgados no painel de arboviroses do Ministério da Saúde. A SES (Secretaria Estadual de Saúde) não publica atualização da evolução da doença desde 7 de março. Em nota, a pasta justifica que ajustou o cronograma de divulgação do boletim epidemiológico por conta do surto em Douradoras. “As equipes técnicas da Secretaria estão mobilizadas e atuando prioritariamente nas ações de resposta no município“.
Outros municípios de Mato Grosso do Sul têm tendência de aumento no número de casos prováveis. Jardim registra alta de 85,7%, com variação de 14 para 26 casos na última semana. Além disso, Amambai teve salto de 41,6%, de 36 para 51 suspeitas.
Douradina, Iguatemi e Sonora somam mais três casos cada. Já em Anaurilândia, Chapadão do Sul, Mundo Novo e Nioaque, o aumento foi de dois casos. Por fim, Angélica e Laguna Carapã tiveram acréscimo de um caso em cada município na última semana.
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pelo vírus CHIKV, por meio da picada de fêmeas do mosquito Aedes aegypti infectadas. Diversos sintomas são atribuídos à doença e, de forma geral, são bem parecidos com outro quadro causado pelo mesmo agente transmissor, a dengue.
No entanto, a duração da febre e das dores, especialmente nas articulações, diferentemente da dengue, que é passageira, pode ser de mais de 15 dias com a chikungunya, além de os sintomas serem incapacitantes. E, pior: em mais de 50% dos casos, essa artralgia (dor nas articulações) torna-se crônica, podendo persistir por anos, conforme o Ministério da Saúde.
Ainda, o vírus pode causar consequências cardiovasculares, na pele, nos rins e no sistema nervoso, como doença neuroinvasiva, caracterizada por agravos neurológicos, tais como: encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
As orientações são semelhantes às de combate à dengue. Confira dicas:
Mín. 18° Máx. 32°
