O patrimônio do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) cresceu 176% em 20 anos, de R$ 20,2 milhões, declarados em 2006, para R$ 55,976 milhões informados neste ano à Justiça Eleitoral. Candidato a senador nas eleições deste ano e líder nas pesquisas, o ex-tucano declarou R$ 2,6 milhões no banco, investimentos e depósitos em conta corrente.
Conforme o Tribunal Superior Eleitoral, o presidente regional do PL informou ser dono de 3.343 cabeças de gado, que estão avaliadas em R$ 13,3 milhões, considerando-se o valor médio de R$ 4 mil por semoventes bovinos.
Azambuja possui um avião avaliado em R$ 1,2 milhão e veículos, entre caminhonetes e caminhões. O apartamento do ex-governador está avaliado em R$ 1,2 milhão. A Justiça Eleitoral deixou de exigir dos candidatos o endereço dos bens e as informações são genéricas.
Produtor rural desde Maracaju, cidade que administrou por dois mandatos consecutivos, Reinaldo declarou ter cinco fazendas, desde ¼ de uma (R$ 250 mil) a 50% de outras quatro, com valores que oscilam entre R$ 1,250 milhão até R$ 6,397 milhões. Ele declarou ainda R$ 6,5 milhões em benfeitorias em imóveis rurais e R$ 8,5 milhões em bens relacionados a atividade rural.
Evolução desde 2006
Em relação a 2018, quando disputou a reeleição e venceu o juiz aposentado Odilon de Oliveira, então no PDT), no segundo turno, a fortuna de Azambuja teve aumento de 44,6%, de R$ 38,698 milhões para R$ 55,976 milhões.
A Justiça Eleitoral disponibiliza informações sobre o patrimônio de Reinaldo Azambuja desde 2006, quando foi candidato a deputado estadual e declarou possuir R$ 20,221 milhões em bens.
Quando foi eleito governador em 2014, Reinaldo declarou ter um patrimônio de R$ 37,8 milhões. No final do primeiro mandato, em 12 de setembro de 2018, ele foi alvo da Operação Vostok, deflagrada pela Polícia Federal para investigar o pagamento de propina pela JBS. Entrou para a história ao ser o primeiro ocupante da Governadoria a ser alvo da PF no exercício do cargo.
O Ministério Público Federal denunciou Reinaldo e o filho, o advogado Rodrigo Souza e Silva, por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro em 15 de outubro de 2020. Na ocasião, a subprocuradora-geral da República, Lindôra Araújo, acusou o ex-tucano de ter recebido R$ 67,7 milhões em propina da JBS em troca de incentivos fiscais e causado prejuízo de R$ 209,7 milhões.
O ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça, determinou o bloqueio de R$ 277,5 milhões. Reinaldo sempre negou ter recebido propina e acusou os donos da JBS, Joesley e Wesley Batista, de serem chefes de facção criminosa.
Em outubro do ano passado, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, de ofício, determinou o trancamento da ação penal e um dos motivos foi a demora do STJ. Em cinco anos, a Corte Especial nunca analisou a denúncia contra Azambuja.