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Dourados segue entre as cidades com maior taxa de estupros do Brasil
Anuário Brasileiro de Segurança Pública coloca o município na sexta posição entre cidades com mais de 100 mil habitantes; maioria das vítimas é de crianças e adolescentes.
24/07/2026 08h17
Por: Redação Fonte: Redação
Imagem gerada por IA

Dourados permanece, pelo terceiro ano consecutivo, entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes que registram as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável. Os dados constam na edição 2026 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23), com informações referentes ao ano de 2025.

No ranking nacional, Dourados aparece na sexta colocação, com uma taxa de 84,8 casos de estupro e estupro de vulnerável para cada 100 mil habitantes. A primeira posição é ocupada por Boa Vista (RR), com taxa de 110,8.

O levantamento também aponta que Mato Grosso do Sul possui a quinta maior taxa de estupro do país, ficando atrás apenas de Roraima, Rondônia, Acre e Amapá.

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Segundo o estudo, esses estados apresentam características semelhantes, como a expansão de atividades extrativistas e agropecuárias, desmatamento, garimpo, extensas áreas territoriais, presença de populações indígenas e atuação de organizações criminosas, fatores que podem contribuir para o cenário de violência.

Quando o recorte considera apenas a população feminina, a situação é ainda mais preocupante. Mato Grosso do Sul registra 142,6 casos de estupro para cada 100 mil mulheres, a quarta maior taxa do Brasil, atrás apenas de Roraima, Acre e Rondônia.

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Crianças são as principais vítimas

Apesar de o Brasil ter registrado, em 2025, a primeira redução no número de estupros comunicados às polícias desde a pandemia de Covid-19, o Anuário alerta que a queda nos registros não significa, necessariamente, redução da violência sexual.

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Foram contabilizados 84.388 casos no país, sendo 64.990 de estupro de vulnerável e 19.398 de estupro. Isso significa que 77% das ocorrências envolveram crianças e adolescentes menores de 14 anos.

As mulheres e meninas representam 93,3% das vítimas de estupro, enquanto meninas de até 14 anos correspondem a 85,6% dos casos de estupro de vulnerável registrados no Brasil.

Violência ocorre, principalmente, dentro de casa

Outro dado que chama atenção é o local onde os crimes acontecem. Segundo o Anuário, 57,6% dos estupros e 64,9% dos estupros de vulnerável ocorreram dentro das residências.

O estudo destaca que o ambiente doméstico, que deveria representar proteção, frequentemente se torna um espaço de vulnerabilidade, onde relações de confiança e dependência dificultam as denúncias e favorecem a continuidade dos abusos.

A via pública aparece como o segundo principal local das ocorrências, seguida por instituições de ensino, unidades de saúde, estabelecimentos comerciais, ambientes virtuais e instituições religiosas.

Em Dourados, casos de violência sexual contra crianças seguem chamando a atenção das autoridades. Em julho de 2025, um homem de 23 anos foi preso em flagrante, na Aldeia Bororó, acusado de tentar estuprar uma menina indígena de 11 anos. Conforme a investigação, a criança conseguiu fugir e pedir ajuda à família, que acionou lideranças indígenas e a Polícia Militar. O suspeito foi preso e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac).

O Anuário reforça que o combate à violência sexual depende do fortalecimento das políticas públicas, da ampliação dos canais de denúncia e da proteção às vítimas, especialmente crianças e adolescentes.