Impulsionado pelo El Niño, o inverno de 2026 deve ter menos ondas de frio e períodos mais intensos de calor em Mato Grosso do Sul, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). Apesar de episódios pontuais de baixas temperaturas ainda poderem ocorrer entre junho e setembro, a tendência é de uma estação mais quente que o outono deste ano e o inverno de 2025.
Ao Jornal Midiamax, a meteorologista coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explicou que o El Niño deve diminuir as ondas de frio e causar ondas de calor no inverno, entre os dias 21 de junho e 22 de setembro. A estação também deve ser mais quente que o inverno de 2025.
O outono deste ano, que começou em março e se estende até 20 de junho, é marcado pelas baixas temperaturas. Mato Grosso do Sul registrou mínimas de 2°C e sensação térmica negativa em algumas cidades na primeira quinzena de maio.
No entanto, a especialista afirma que alguns dias do inverno deste ano ainda podem registrar baixas temperaturas. “Não se descartam alguns episódios de frio, mas não comparados ao [inverno] do ano passado”, explica Valesca Fernandes. “O ano passado foi mais gelado e mais frio do que esse ano será”, conclui.
Os indícios de formação do El Niño estão cada vez mais fortes. Isso porque as águas abaixo da superfície do Pacífico Equatorial registraram aquecimento pelo sexto mês seguido. Segundo o Cemtec, há 92% de probabilidade de formação do El Niño ao longo do trimestre.
A expectativa é de que o fenômeno atue com intensidade fraca a moderada entre julho e setembro. Já nos períodos entre setembro e dezembro, cresce significativamente a possibilidade de um El Niño forte a muito forte, indicando intensificação do fenômeno no segundo semestre de 2026.
El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na sua porção equatorial. Ele ocorre em intervalos irregulares de cinco a sete anos e tem duração média que varia entre um ano e um ano e meio, com início nos últimos meses do ano.
Este fenômeno, por sua vez, é responsável por alterar a distribuição de umidade e as temperaturas em várias regiões do mundo. No Brasil, ele provoca secas prolongadas nas regiões Norte e Nordeste e chuvas intensas e volumosas no Sul. No Centro-Oeste, suas características são mais irregulares.
A coordenadora do Cemtec falou sobre este assunto durante o lançamento do AdaptaSUS, evento realizado nesta quarta-feira (20) no Auditório do Bioparque Pantanal. A iniciativa discutiu os impactos das mudanças climáticas na saúde a curto, médio e longo prazo.
“O El Niño impacta bastante na questão das ondas de calor”, afirma Valesca Fernandes. Segundo ela, as altas temperaturas podem causar insolação e desidratação, principalmente quando aliadas à baixa umidade relativa do ar. “Isso acaba impactando a procura por unidades de saúde.”
O tempo quente e seco também aumenta o risco de incêndios florestais. Para a saúde, o perigo é a inalação de fumaça, segundo a coordenadora do Cemtec.
Além disso, a meteorologista cita que ondas de frio podem aumentar o risco de hipotermia. Entre os dias 9 e 10 de maio, quatro pessoas morreram por suspeita de hipotermia em Mato Grosso do Sul, quando as sensações térmicas marcaram números negativos em Dourados e Campo Grande.
No dia 11 de maio, Campo Grande amanheceu com sensação térmica negativa pelo terceiro dia consecutivo, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). A sensação chegou a -3,2 °C por volta das 6h.
No sábado (9), a Capital viveu a noite mais fria de 2026, com sensação térmica de -3,2°C às 22h. Já na manhã do domingo (10), Dia das Mães, o registro subiu um pouco, para -1,7 °C.
A sensação térmica é mais baixa que as temperaturas em razão de uma combinação de variáveis meteorológicas, como velocidade do vento, umidade e temperatura do ar. O nível de estresse por frio foi considerado moderado pelo Inmet.
Em seguida, a temperatura mínima subiu gradualmente em todo o Mato Grosso do Sul e seguiu em elevação. Desde segunda-feira (18), o frio voltou ao Estado, com temperaturas mínimas abaixo de 10°C.