Mato Grosso do Sul Clima no MS
Frio? El Niño pode causar ondas de calor no inverno em Mato Grosso do Sul, diz Cemtec
A tendência é de uma estação mais quente que o outono deste ano e o inverno de 2025
25/05/2026 10h00
Por: Redação Fonte: Midia Max
Onda de calor em MS. (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Impulsionado pelo El Niño, o inverno de 2026 deve ter menos ondas de frio e períodos mais intensos de calor em Mato Grosso do Sul, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima). Apesar de episódios pontuais de baixas temperaturas ainda poderem ocorrer entre junho e setembro, a tendência é de uma estação mais quente que o outono deste ano e o inverno de 2025.

Ao Jornal Midiamax, a meteorologista coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explicou que o El Niño deve diminuir as ondas de frio e causar ondas de calor no inverno, entre os dias 21 de junho e 22 de setembro. A estação também deve ser mais quente que o inverno de 2025.

O outono deste ano, que começou em março e se estende até 20 de junho, é marcado pelas baixas temperaturas. Mato Grosso do Sul registrou mínimas de 2°C e sensação térmica negativa em algumas cidades na primeira quinzena de maio.

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No entanto, a especialista afirma que alguns dias do inverno deste ano ainda podem registrar baixas temperaturas. “Não se descartam alguns episódios de frio, mas não comparados ao [inverno] do ano passado”, explica Valesca Fernandes. “O ano passado foi mais gelado e mais frio do que esse ano será”, conclui.

O que é El Niño?

Os indícios de formação do El Niño estão cada vez mais fortes. Isso porque as águas abaixo da superfície do Pacífico Equatorial registraram aquecimento pelo sexto mês seguido. Segundo o Cemtec, há 92% de probabilidade de formação do El Niño ao longo do trimestre.

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A expectativa é de que o fenômeno atue com intensidade fraca a moderada entre julho e setembro. Já nos períodos entre setembro e dezembro, cresce significativamente a possibilidade de um El Niño forte a muito forte, indicando intensificação do fenômeno no segundo semestre de 2026.

El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na sua porção equatorial. Ele ocorre em intervalos irregulares de cinco a sete anos e tem duração média que varia entre um ano e um ano e meio, com início nos últimos meses do ano.

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Este fenômeno, por sua vez, é responsável por alterar a distribuição de umidade e as temperaturas em várias regiões do mundo. No Brasil, ele provoca secas prolongadas nas regiões Norte e Nordeste e chuvas intensas e volumosas no Sul. No Centro-Oeste, suas características são mais irregulares.

Impacto na saúde

A coordenadora do Cemtec falou sobre este assunto durante o lançamento do AdaptaSUS, evento realizado nesta quarta-feira (20) no Auditório do Bioparque Pantanal. A iniciativa discutiu os impactos das mudanças climáticas na saúde a curto, médio e longo prazo.

“O El Niño impacta bastante na questão das ondas de calor”, afirma Valesca Fernandes. Segundo ela, as altas temperaturas podem causar insolação e desidratação, principalmente quando aliadas à baixa umidade relativa do ar. “Isso acaba impactando a procura por unidades de saúde.”

O tempo quente e seco também aumenta o risco de incêndios florestais. Para a saúde, o perigo é a inalação de fumaça, segundo a coordenadora do Cemtec.

Além disso, a meteorologista cita que ondas de frio podem aumentar o risco de hipotermia. Entre os dias 9 e 10 de maio, quatro pessoas morreram por suspeita de hipotermia em Mato Grosso do Sul, quando as sensações térmicas marcaram números negativos em Dourados e Campo Grande.

Outono gelado

No dia 11 de maio, Campo Grande amanheceu com sensação térmica negativa pelo terceiro dia consecutivo, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). A sensação chegou a -3,2 °C por volta das 6h.

No sábado (9), a Capital viveu a noite mais fria de 2026, com sensação térmica de -3,2°C às 22h. Já na manhã do domingo (10), Dia das Mães, o registro subiu um pouco, para -1,7 °C.

A sensação térmica é mais baixa que as temperaturas em razão de uma combinação de variáveis meteorológicas, como velocidade do vento, umidade e temperatura do ar. O nível de estresse por frio foi considerado moderado pelo Inmet.

Em seguida, a temperatura mínima subiu gradualmente em todo o Mato Grosso do Sul e seguiu em elevação. Desde segunda-feira (18), o frio voltou ao Estado, com temperaturas mínimas abaixo de 10°C.