Familiares de um jovem de 28 anos denunciam uma série de falhas no atendimento prestado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida, em Campo Grande. O paciente deu entrada na unidade na segunda-feira (23), com um quadro neurológico grave, e, posteriormente, foi diagnosticado com encefalite, condição que pode evoluir rapidamente e apresenta risco de morte.
Desde então, ele aguarda transferência para a Santa Casa, classificado como prioridade 1 no sistema de regulação. Segundo a família, apesar da gravidade do caso, a vaga ainda não foi efetivada, e uma possível confusão envolvendo pacientes com o mesmo nome teria contribuído para a demora.
Além da espera por transferência, os familiares relatam falhas graves na assistência dentro da unidade, como a administração de medicação incorreta — incluindo o uso de clonazepam e de anticonvulsivo, os quais, segundo a família, não seriam indicados para o quadro clínico.
A sogra do paciente, que acompanhou o atendimento, afirma que, após receber medicação errada, o jovem apresentou piora no quadro clínico, com episódios de desorientação e agitação.
“Uma médica apareceu lá e falou que o que ele tomou foi clonazepam e anticonvulsivo, e ainda deram mais, sendo que não era nem para ele, porque ele nem está convulsionando. É um desrespeito, um absurdo.”
Segundo ela, o erro só foi percebido após o paciente já ter ingerido parte da medicação, e situação semelhante teria ocorrido com outro paciente no dia anterior.
“A enfermeira pegou um punhado de remédios e deu para o meu genro. Depois, viu que não era dele e voltou correndo, mas ele já tinha tomado. Ele só dormiu, depois acordou desorientado, arrancando a roupa, passando mal. Como dão remédio errado para alguém com um problema grave no cérebro?”, questiona.
Além disso, ela relata falta de alimentação adequada a pacientes e dificuldades para obter informações sobre o estado de saúde do jovem. “Liguei para saber notícias e disseram que não podiam informar nada. Falam que tem médica lá, mas meu filho está com ele e diz que não tem ninguém. É desesperador.”
Procurada, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) informou que tomou conhecimento dos fatos relacionados ao atendimento realizado no dia 23 de março e que já iniciou a apuração do ocorrido.
Em nota, a pasta afirmou que o paciente foi atendido no período noturno, avaliado pela equipe médica e mantido em leito de observação. No dia seguinte, foi inserido no sistema de regulação para transferência, conforme avaliação clínica.
A secretaria também esclareceu que não houve troca de pacientes no sistema, e que a vaga foi destinada a outro paciente com o mesmo nome, conforme critérios da central de regulação e quadro clínico.
Ainda segundo a Sesau, a solicitação de transferência segue em acompanhamento e, assim que houver vaga disponível, o paciente será encaminhado. O órgão destacou também que, em cumprimento à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), não pode fornecer detalhes sobre atendimentos individuais.