A FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde) deve implantar ainda esta semana na Reserva Indígena de Dourados, as EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicida) que são conhecidas como armadilhas contra o Aedes aegypti, transmissor da Febre Chikungunya, que já provocou quatro mortes nas aldeias Jaguapiru e Bororó.
O larvicida usado nessas estações é um pó fino colocado em potes com água, em pontos estratégicos onde há densidade de mosquitos. Como a fêmea costuma colocar ovos em vários pontos, ao passar pela armadilha fica impregnada pelo produto e leva até outros criadouros.
“Quando ela entrar em contato ali com o foco de água, ela vai depositar o larvicida e assim ela vai disseminando o larvicida. Ela faz o nosso trabalho e onde tiver larvicida, essa larva não desenvolve. É essa tecnologia que está vindo para cá nesse momento”, explicou Rodrigo Stábeli, diretor da FN-SUS.
Ainda não foi confirmada data específica para o início dessa atividade, somente que deve acontecer ao longo dessa semana.
No domingo, dia 22, mais agentes da Força Nacional chegaram às aldeias para reforçar as ações de combate ao surto de Chikungunya, totalizando 28 em campo atualmente.
Entre as ações estão atendimento às pessoas com suspeita da doença, estruturação do fluxo de pacientes, capacitação de profissionais da saúde e apoio às ações de combate à proliferação do mosquito.
AGENTES DE ENDEMIAS
Há pelo menos 15 dias, agentes de agentes de endemias da prefeitura, com apoio do Estado e de agentes da Sesai (Secretaria de Saúde Indígena) do Governo Federal, fazem visitas domiciliares em regime de mutirão nas aldeias. Ao todo, foram 4 mil imóveis visitados, sendo 2,2 mil tratados e 1 mil focos encontrados, sendo 90% em caixas d’água, lixo e pneus.
Além de não terem coleta diária de resíduos como na área urbana, os indígenas ainda precisam armazenar água parada em caixas para beber, cozinhar e fazer sua higiene, já que não há rede de abastecimento nas comunidades.
Mesmo diante dessas condições, com a distribuição de caixas d’água pela própria Sesai, as aldeias não possuem agentes de endemias contratados pelo órgão, para fazer orientações sobre o armazenamento correto de água de forma a evitar a proliferação do mosquito.
Em coletiva de imprensa no sábado, dia 21, a secretária adjunta da Sesai, Lucinha Tremembé alegou que o órgão prepara a contratação dos profissionais, sendo o planejamento inicial somente de dois agentes de endemias por aldeia, totalizando quatro para atender a uma população que chega a quase 20 mil pessoas.
“Para esse polo, a gente não tinha a contratação de agente comunitário de endemias porque não era uma contratação que a gente fazia, a gente começou a fazer agora”, afirmou Lucinha, dizendo que esse trabalho geralmente é feito em parceria com municípios.
A secretária adjunta disse ainda que o número total de agentes contratados pode ser reavaliado, mas que os primeiros devem chegar entre o final desta semana e o início da próxima, e devem passar por treinamento junto com a equipe da Secretaria Municipal de Saúde, para agilizar a formação de equipe qualificada para o trabalho de conscientização.
VACINA
O Governo do Estado ainda anunciou a articulação para incluir Dourados e Itaporã em um projeto piloto da vacina de dose única contra a Chikungunya. A previsão é a chegada de 40 mil doses a partir da semana que vem, que devem ser aplicadas em pessoas de 18 a 59 anos.