A Polícia Civil afirmou, em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (17/11), que não há qualquer indício de que Leanderson de Oliveira Júnior, acusado pela morte do padre Alexsandro da Silva Lima tivesse relação afetiva ou sexual com a vítima.
O delegado do SIG (Setor de Investigação Geral), Lucas Albe, explicou que essa versão foi apresentada apenas pelo próprio acusado durante o interrogatório, sem respaldo nas evidências coletadas.
“Essa é uma informação não oficial, que não foi fornecida pela Polícia Civil. Foi uma alegação feita durante o interrogatório do autor. Ele tem direito de dizer o que ele bem entender como meio de defesa”, afirmou o delegado.
Em seguida, reforçou “até o momento não tem nenhum indício de que tenha realmente acontecido, de que tivesse algum envolvimento anterior com o padre ou de que o padre tenha tentado atacá-lo com intuito sexual.”
Albe também destacou que, pelas características físicas de ambos, a narrativa apresentada pelo suspeito não se sustenta.
“Pelo que nós identificamos, o padre era uma pessoa de porte físico avantajado, e o autor, uma pessoa franzina. Acreditamos que o autor tenha atacado o padre de forma sorrateira, como uma emboscada, para conseguir golpeá-lo da forma que golpeou”, afirmou Albe.
“O momento em que eles fizeram os golpes com faca ocasionou de fato a morte da vítima”, disse, reforçando que não há nenhum elemento técnico que confirme a alegação do suspeito sobre tentativa de abuso.
Durante a coletiva, Albe também confirmou que o caso é tratado oficialmente como latrocínio.
“O caso é tratado como roubo seguido de morte, porque os dois autores confessaram que já tinham feito o planejamento, tinham premeditado o crime um tempo antes.”
Ele pontuou ainda que os envolvidos não sabiam que Alexsandro era padre. “Eles sabiam que ele tinha aquele veículo. Um dos autores já tinha feito contato com uma pessoa no Paraguai que iria comprar o carro por 40 mil reais.”
Para o delegado, essa é a real motivação do crime. “Esse era o intuito deles: roubar o carro para que fosse vendido no Paraguai, roubar o celular, que foi o que aconteceu, mas como não conseguiram desbloquear, acabaram dispensando no matagal e também utilizar a residência para fazer festas com amigos.”
Sobre as perícias, Albe explicou que todos os celulares apreendidos serão analisados. “Os telefones foram apreendidos e serão periciados. Vamos verificar todas as informações constantes nos aparelhos, até porque acreditamos que indicarão e confirmarão a premeditação. E essa premeditação vai inclusive afastar essa outra hipótese de que tenha ocorrido qualquer tipo de ataque do Alexandre que motivou o crime.”
O delegado também confirmou que o principal suspeito já possuía antecedentes policiais. “Ele já tinha alguns antecedentes criminais. As adolescentes não tinham, mas o autor sim.”
Conforme noticiado mais cedo pelo Dourados News, a versão do autor consta no depoimento em audiência de custódia, em que ele afirma que foi à residência do padre Alexsandro, após ser chamado para um programa sexual mediante pagamento, prática que, segundo ele, já vinha ocorrendo havia algum tempo.
Ainda conforme os autos, Leanderson afirmou que aceitou o encontro com a intenção prévia de subtrair o veículo da vítima e fugir para o Paraguai.
O acusado declarou que, no dia do crime, teria sido forçado pela vítima a praticar ato sexual, circunstância que, segundo sua versão, desencadeou a agressão com uma marreta e posteriormente com uma faca.