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Diminuição de árvores nativas do Pantanal prejudica preservação da arara-azul

Segundo a pesquisadora, o arco do desmatamento abrange o corredor da borda leste do Pantanal, que compreende Corumbá, Coxim, Sonora e Rio verde

11/09/2020 14h11
Por: Redação Fonte: Dourados News
O estudo foi realizado a partir do Acordo de Cooperação entre o Instituto Arara Azul e a UFMS - Crédito: Divulgação
O estudo foi realizado a partir do Acordo de Cooperação entre o Instituto Arara Azul e a UFMS - Crédito: Divulgação

O desmatamento da flora nativa do Pantanal está prejudicando a preservação da arara-azul, um dos maiores símbolos da fauna pantaneira, de acordo com informações apresentadas por pesquisadores da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

“Estudos prévios indicam que está ocorrendo o declínio populacional da sterculia apetala, que é o manduvi, uma planta que tem bastante interesse das populações tradicionais do Pantanal e é uma planta que tem uma grande relevância biológica. Isso se deve porque a árvore do manduvi é a espécie escolhida em 90% das vezes pela arara-azul para nidificar, para cavar o buraquinho e fazer seu ninho. Está ocorrendo o declínio populacional dessa espécie e isso provavelmente vai afetar a população das araras-azuis”, explica a professora Letícia Couto Garcia, integrante do Laboratório de Ecologia da Intervenção (LEI) e do Instituto de Biologia (Inbio-UFMS).

Além do manduvi, outra espécie essencial para a sobrevivência da arara-azul, a attalea phalerata, palmeira conhecida como acuri, também está sofrendo com o avanço do desmatamento no Pantanal. Enquanto o manduvi é a casa da arara-azul, a acuri é a principal fonte de alimentação da ave. “Cerca de 94% das vezes que ela se alimenta é dos frutos da acuri, a attalea phalerata, que é uma palmeira. Então, a arara-azul é muito dependente dessas duas espécies de vegetais”, frisa Letícia.

O estudo foi realizado a partir do Acordo de Cooperação entre o Instituto Arara Azul e a UFMS, com colaboração da Embrapa Pantanal, sendo que as constatações foram analisadas pelo pesquisador Maxwell Rosa Oliveira, estudante do curso de mestrado de Biologia Vegetal da universidade e orientado pela professora Letícia.

“Maxwell iniciou seu estudo de mestrado avaliando a modelagem, ou seja, a gente queria descobrir quais são as áreas mais propícias para que essas três espécies ocorram. Outra motivação desse estudo foi a publicação recente do doutorado da pesquisadora Angélica Guerra, que também foi aluna de Ecologia da UFMS. O estudo dela detectou esse arco do desmatamento, um arco da conversão vindo do planalto para a planície do Pantanal, então a gente tem o Pantanal, que tem a planície e em volta do Pantanal tem o planalto, que é a região mais alta. Esse estudo da Angélica detecta que há essa diferença do aumento do desmatamento vindo de uma região”, explica Letícia.

Segundo a pesquisadora, o arco do desmatamento abrange o corredor da borda leste do Pantanal, que compreende Corumbá, Coxim, Sonora e Rio verde. “A gente tem a população do norte da arara-azul e a população do sul da arara-azul, que é dividida por essa grande região do Paiaguás. Essas duas populações de arara para elas se comunicarem, elas precisam de corredores, ou seja, o corredor da borda leste e o corredor da borda oeste. Mas, o corredor da borda leste está pegando o arco do desmatamento”, alerta.

De acordo com Letícia, a borda leste atingida pelo arco do desmatamento compreende as cidades de Corumbá, Coxim, Sonora e Rio Verde. “Ao mesmo tempo essa região é modelo para a ocorrência dessas três espécies, o manduvi, a acuri e a arara-azul. É uma região que tem grande possibilidade de ser desmatada, mas que é importante como corredor biológico dessas duas populações de arara-azul para que elas mantenham sua diversidade genética. A gente deveria então priorizar essas áreas para conservação e para restauração dessa espécie bandeira do Pantanal, que é a arara-azul”, aponta.

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