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Coronavírus Cinza Pandemia

Única ‘bandeira cinza’ em MS, cidade restringe até sinuca e contesta classificação

Prefeitura de Caarapó aponta baixo número de casos e boa estrutura de Saúde; decreto proíbe tereré e narguilé e restringe jogos de sinuca

11/09/2020 08h47
Por: Redação Fonte: Midia Max
Vista aérea de Caarapó; prefeitura contesta instituição de Bandeira Cinza. (Foto: Caarapó Online/Reprodução)
Vista aérea de Caarapó; prefeitura contesta instituição de Bandeira Cinza. (Foto: Caarapó Online/Reprodução)

Dez dias antes de ser o único município de Mato Grosso do Sul na Bandeira Cinza (Grau Extremo) de risco para atividades sociais e econômicas devido ao coronavírus, a Prefeitura de Caarapó –a 270 km de Campo Grande–havia adotado mais medidas para tentar frear o avanço da Covid-19. Por isso, a classificação foi recebida com indignação e deverá ser contestada.

A lista de restrições incluiu a limitação a 50% da capacidade de público em estabelecimentos comerciais da cidade, a proibição de rodas de tereré e do consumo de narguilé –com promessa de notificação dos pais dos jovens flagrados nas práticas– e, ainda, a restrição a até 4 pessoas por mesa de sinuca, nos comércios que oferecem esse tipo de entretenimento.

Boletim da Secretaria Municipal de Saúde de Caarapó havia anotado, até quarta-feira (9), 389 casos confirmados de coronavírus, com 370 pacientes recuperados e 17 em isolamento –um deles internado–, além de 2 óbitos. Também há 7 resultados aguardando processamento. Números que, segundo o prefeito André Nezzi (PSDB), mostram uma situação tranquila.

“Entre os profissionais de Saúde, a Bandeira Cinza foi recebida com indignação. E para a população isso soa como piada”, criticou o prefeito, segundo quem os dois óbitos envolveram pacientes com comorbidades: um idoso de 87 anos e um indígena de 33, diabético. “Como o município está na zona cinza com 2 mortes apenas e 17 casos ativos e Naviraí, aqui do lado e com 22 mortes, está melhor que nós? Respeito o estudo, mas não entendo isso”.

Nezzi afirma que a Secretaria de Estado de Saúde explicou que a nota baixa seria resultado da falta de atualização dos dados de coronavírus no dia 7 de setembro, feriado, “ficando como se não tivéssemos enviado. Mas isso é um critério absurdo, deixa a entender que Caarapó teria de fazer lockdown”, disparou.

O prefeito nega tanto adotar o “fechamento total” de atividades sociais e econômicas na cidade como endurecer ainda mais as regras vigentes desde 1º de setembro, que proíbe aglomerações –que, em Caarapó, envolvem reuniões com mais de 6 pessoas, mesmo número máximo de clientes por mesa de estabelecimento–, limitou o horário de funcionamento de supermercados e restringiu a 50% a lotação nos comércios.

“Mantivemos o decreto, inclusive com toque de recolher às 22h, e não queremos restringir mais nada. Está tudo sob controle. E já esteve pior: quando explodiu o número de casos em Juti chegamos a 80 casos ativos e a bandeira não ficou Cinza como agora, com 17 casos”, afirmou Nezzi. Juti teve aumento considerável de casos a partir de um frigorífico.

O prefeito prometeu apresentar defesa para que Caarapó seja retirada da Bandeira Cinza antes da próxima atualização do Prosseguir, que só ocorrerá em 14 dias. “Isso gera mal-estar e insegurança. Se houvesse alguma dificuldade eu seria o primeiro a anunciar. Já atravessamos o momento pior e nunca teve bandeira Cinza ou Preta”.

Ida de pastores a distrito causou medo com a ‘chegada’ do coronavírus a Caarapó

Caarapó já havia entrado no mapa do coronavírus muito antes do Prosseguir ser instalado. Em 1º de maio, a chegada de dois pastores evangélicos de Osasco (SP) ao distrito de Nova América para a realização de eventos e visitas a fiéis acendeu o alerta: ambos testaram positivo para a doença e fugiram do isolamento social. Até a polícia seria acionada.

Como resultado, cerca de 10 imóveis da comunidade passaram a ser monitorados, a fim de avaliar se os moradores contraíram a Covid-19. Naquele momento, Osasco já tinha passado de 1.000 casos e 100 mortes por coronavírus.

“Aquele momento foi de preocupação porque houve muito contato [entre infectados e moradores] e nós não sabíamos como funcionava. Eles ficaram com medo e fugiram, surgindo o primeiro caso na cidade. Mas depois disso somamos 387 casos”, disse o prefeito.

A situação resultou na melhoria da estrutura de atendimento: de 1, a cidade passou a contar com 4 respiradores; e as equipes de Saúde passaram a visitar casos suspeitos e confirmados de casa em casa. “Está tudo tranquilo e, por isso, vamos contestar o resultado do Prosseguir”.

Prefeitura de Caarapó aponta baixo número de casos e boa estrutura de Saúde; decreto proíbe tereré e narguilé e restringe jogos de sinuca.

Por meio do decreto 71, de 1º de setembro de 2020, a Prefeitura de Caarapó anunciou novas medidas temporários para enfrentamento ao coronavírus, a fim de conter aglomerações e outras condições que favorecem a circulação da doença.

Entre elas, estão as proibições das rodas de tereré e do consumo de narguilé, com a promessa de notificar pais ou responsáveis de adolescentes e jovens flagrados usando os produtos.

O dispositivo também qualifica como aglomeração quaisquer reuniões com mais de 6 pessoas, sendo este também o número máximo de pessoas em cada mesa para consumo em bares, restaurantes e similares. O distanciamento mínimo das mesas é de 2 metros.

O toque de recolher na cidade tem início às 22h, com o delivery autorizado até as 23h. Todos os estabelecimentos comerciais autorizados a funcionar só podem receber até 50% da sua capacidade de lotação, sob pena de multas que variam de R$ 1 mil a R$ 4 mil e podem, ainda, ter cassado o alvará de funcionamento. Já foram expedidas 26 multas.

“Tivemos bares com o funcionamento suspenso por uma semana por descumprirem seguidamente essa ordem”, explicou o prefeito.

Supermercados foram instruídos a operarem com a mesma capacidade limitada de clientes, desde que mantenham distanciamento de 2 metros entre eles, ofereçam sanitizantes a compradores e funcionários e abram as portas das 7h às 20h de segunda a sexta-feira e das 7h às 18h aos domingos.

Dentre as restrições explicitadas no decreto, o artigo 6º é o que chama mais a atenção, ao determinar que bares que forneçam mesas de sinuca aos clientes permitam apenas quatro jogadores por mesa. André Nezzi, porém, afirma que a medida tem explicação.

“Estávamos tendo problema porque nossa fiscalização aqui flagrou o jogo de ‘bolinho’, que reúne de 6 a 8 jogadores que passam o taco de um para o outro e mantém aglomeração. Restringimos a 4 jogadores por mesa”, explicou, referindo-se a um jogo rápido de sinuca comumente feito com apenas 3 bolas –vence quem encaçapar a última bola, isto é, deve-se acertar na sequência.

Nezzi reforçou que a medida apenas prova que “até as pequenas coisas” são fiscalizadas no município, reiterando que o avanço da Covid-19 em Caarapó está sob controle. A reportagem contatou a SES para questionar sobre os motivos que levaram à inclusão do município na Bandeira Cinza, mas não obteve resposta até a veiculação esta matéria –o espaço segue aberto para manifestação.

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