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Coronavírus Pandemia

Comércio foi o setor que mais demitiu em Dourados durante a pandemia

Maior parte dos demitidos tinham apenas o Ensino Médio completo (60%). Já profissionais com ensino superior completo representam 7% dos desempregados.

15/07/2020 08h49
Por: Redação Fonte: Dourados Agora
Foto: Franz Mendes
Foto: Franz Mendes

Desde a chegada do novo coronavírus a Mato Grosso do Sul, em março deste ano, o saldo de empregos em Dourados despencou. Após um começo de ano pujante, com saldo positivo de 511 contratações em fevereiro, março já apresentou declínio com mais demissões do que novas contratações na cidade. O saldo negativo ficou em menos 218 carteiras assinadas. Os dados constam na nova plataforma do Cadastro de Empregados e Desempregados (Caged).

Entre o terceiro e quinto mês do ano, o saldo de empregados na maior cidade do interior ficou deficitário, com 593 demissões a mais do que contratações. Nesse período quem mais demitiu foi o comércio, com saldo negativo de 535 contratos de trabalho rescindidos.

Em contrapartida, a indústria douradense saiu na frente com saldo positivo de 386 contratações. E não seria para menos. O surto mais expressivo da covid-19 aconteceu dentro da planta frigorífica da JBS em Dourados, onde trabalham mais de 4 mil profissionais. Mais de 2 mil trabalhadores do frigorífico foram infectados.

Durante o período os mais afetados foram os homens. Eles representam 70% dos demitidos durante março e maio. Foram 414 profissionais demitidos, frente a 179 mulheres dispensadas de seus postos de trabalho.

Maior parte dos demitidos tinham apenas o Ensino Médio completo (60%). Já profissionais com ensino superior completo representam 7% dos desempregados.

O pior mês para os trabalhadores foi abril. Naquele período o Caged registrou total de 600 desempregados sem recolocação imediata. Em março foram 218 que perderam seus postos. Em maio o saldo ficou positivo, com 225 contratações à frente de demissões. Mas ainda não foi suficiente para amenizar a crise. O comércio segue apresentando sinais de colapso. Na terça-feira passada (7/07) donos de lojas no centro fizeram manifesto pedindo pela isenção ou redução do aluguel de imóveis em tempos de pandemia do coronavírus.

A Prefeitura de Dourados estendeu o funcionamento das lojas apenas no período da tarde até a data de ontem (12/7). No início de março, quando os primeiros casos de Covid-19 foram registrados no Estado, Délia Razuk determinou o fechamento das lojas por 15 dias. Após o período o comércio seguiu aberto com restrições para conter o contágio acelerado por mais de 70 dias, quando novo decreto determinou funcionamento somente em horário vespertino.

CONSUMIDOR RESPONSÁVEL

Segundo a Associação Comercial e Empresarial de Dourados, o consumidor douradense tem arcado com a sua responsabilidade ante as dívidas no comércio de Dourados.

"De janeiro a abril, o número de cancelamentos no SCPC aumentou 8,83%, em relação ao ano passado, ou seja, o consumidor continua arcando com suas responsabilidades, na medida do possível, o que é um fator positivo para o comércio em geral. Essa é mais uma crise que o empresário está passando e com ela, está ganhando vivência, inovação e credibilidade.", disse Nilson Aparecido Santos, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Dourados.

A entidade garante que estabelecimentos fecharam as portas devido a pandemia, sem apresentar número. No entanto, também enaltece o 'fôlego' de alguns segmentos que acabaram sendo beneficiados pelo isolamento e pela crise de saúde.

"O comércio nos traz boas e tristes informações nesses últimos meses por conta da pandemia. Por um lado, temos empresas fechando e o desemprego acontecendo, como já era de se esperar e não deixa de ser preocupante. Por outro, é possível ver novos empreendedores e setores crescendo a cada dia em Dourados, como por exemplo, farmácias e supermercados, que nunca venderam tanto como no último semestre, o comércio varejista, que está movimentando por conta das mudanças climáticas, aniversários e datas comemorativas, as lojas de materiais para construção, que também está com um bom movimento e o agronegócio, que não parou em nenhum momento e estamos sendo sustentados por ele. O empresariado foi obrigado a inovar-se e a cada dia está buscando atender seu consumidor de forma fidelizada e individual.", disse o diretor de comércio da ACED, o empresário José Roberto Ribeiro Pinto Junior.

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