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Lula diz que Brasil é de paz e não deve se "meter" em conflito

Lula decidiu comentar o posicionamento do governo Bolsonaro em relação ao conflito entre EUA e Irã

09/01/2020 08h12
Por: Redação
Fonte: Noticias ao Minuto

Oex-Presidente  Lula considerou não ser "adequada" a interferência do Brasil no conflito entre os Estados Unidos e o Irã, acrescentando que o país é construtor de paz. "O momento não é adequado para o Brasil se meter numa briga externa. O Brasil não tem contencioso com o mundo, sempre manteve uma política diplomática harmoniosa. Devemos ser um construtor de paz", escreveu Lula no Twitter.

O ex-chefe de Estado usou o Twitter para compartilhar uma série de mensagens sobre o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, assim como o papel do Brasil naquela divergência, acusando o atual mandatário do Brasil, Jair Bolsonaro, de "lamber as botas" ao norte-amerciano, Donald Trump.

"Na relação internacional sempre há dois interesses: o seu e o do outro. Você tem sempre que equilibrar o deles com o seu. O Bolsonaro não faz a menor questão de não ser um lambe-botas do Trump. (...) Os EUA gostam de criar confusão e de preferência longe do território deles. Não há necessidade de se inventar 'terrorismo' no Irã", indicou o ex-governante.

Lula comentou ainda decisões tomadas pelo anterior Presidente dos Estados Unidos Barack Obama contra o Irã. "Quando construímos o acordo em Teerã, o Obama traiu o bom senso e decidiu aumentar a punição contra o Irã, para dois anos depois, construir um acordo muito pior do que o que nós havíamos alcançado. Hoje está provado que não havia armas químicas no Iraque(...) Os EUA precisam sempre de eleger um inimigo. Isso cheira-me a campanha eleitoral", acrescentou.

O Governo de Jair Bolsonaro se manifestou, no domingo, apoio os EUA após a morte do general iraniano, o que levou a um pedido de explicações por parte do país do Médio Oriente.

Maria Cristina Lopes, encarregada de negócios da embaixada do Brasil em Teerã, capital do Irã, já se reuniu com representantes do Governo iraniano, mas o teor da conversa não foi revelado.

Num comunicado divulgado na sexta-feira pelo Itamaraty, defendeu a "luta contra o flagelo do terrorismo", após um ataque dos EUA em Bagdad, capital do Iraque, matou o general iraniano Qassem Soleiman. "O Governo brasileiro manifesta o seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo", referiu o Itamaraty.

O executivo liderado por Jair Bolsonaro, apoiante declarado do Presidente norte-americano, Donald Trump, sublinhou que "o terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Médio Oriente e aos países desenvolvidos".

Assim, defendeu, o "Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul".

"O Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive o seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas", referiu ainda.

Mais de uma dúzia de mísseis iranianos foram lançados hoje de madrugada contra duas bases iraquianas com tropas norte-americanas, em Ain al-Assad (oeste) e Erbil (norte).

O ataque foi reivindicado pelos Guardas da Revolução iranianos como uma "operação de vingança", em retaliação pela morte do general Qassem Soleimani, comandante da sua força Al-Quds, na sexta-feira, num ataque aéreo em Bagdad ordenado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

A televisão estatal iraniana referiu que aquela operação militar foi designada "Mártir Soleimani" e que matou "pelo menos 80 militares norte-americanos", mas os Estados Unidos não confirmaram a existência de baixas.

A autoridade federal norte-americana para a aviação (FAA) proibiu aviões e pilotos comerciais norte-americanos de voarem sobre áreas do Iraque, Irã, Golfo Pérsico e Golfo de Omã.

Várias companhias aéreas, como a Lufthansa, Emirates e Malaysia Airlines suspenderam hoje os voos sobre o Iraque e o Irã ou alteraram rotas para evitar o espaço aéreo dos dois países.

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