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Papa Francisco

“O consumismo é um vírus que ataca a fé na raiz", afirma Papa

Neste I Domingo do Advento, fiéis do Congo participaram da missa de 25 anos de fundação da Capelania da Comunidade Congolesa em Roma

Canção Nova

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02/12/2019 07h03
Por: Redação
Fonte: Canção Nova
Papa durante missa deste domingo, 1º/ Foto: Reprodução – Vatican Media
Papa durante missa deste domingo, 1º/ Foto: Reprodução – Vatican Media

A missa na Basílica de São Pedro deste domingo, 1º, o Primeiro do Advento, contou com a presença da comunidade do Congo que mora em Roma e em outras cidades da Itália. Cerca de 1.500 congoleses celebraram os 25 anos de fundação da Capelania da Comunidade na capital italiana. Os fiéis participaram ativamente da celebração eucarística presidida pelo Papa Francisco, que levou em consideração a tradição dos ritos aprovados pela Santa Sé, com cantos, danças e vestes típicas, ou seja, o Missal Romano para as Dioceses do Zaire que incorpora elementos da cultura africana.

Inclusive o Papa fez referência ao uso do “Zaire” logo no início da homilia, em que iniciou comentando as leituras do dia e a frequência do verbo “vir”, já que a própria palavra “Advento” significa “vinda”. E, no primeiro dia do Ano Litúrgico, é um anúncio que marca o ponto de partida:

“O Senhor vem: eis a raiz da nossa esperança, a segurança de que entre as tribulações do mundo chegará a nós a consolação de Deus, uma consolação que não é feita de palavras, mas de presença, da sua presença que vem no meio de nós. (…) O Senhor não nos deixa sozinhos. Veio dois mil anos atrás e virá ainda no final dos tempos, mas vem também hoje na minha vida, na sua vida”.

A vida, cheia de problemas e angústias, recebe a visita do Senhor, salientou Francisco: “Ele [Deus] jamais se cansará de nós. (…) O verbo vir não se conjuga somente para Deus, mas também para nós”, lembrou o Pontífice, que afirmou ser preciso que homens e mulheres aceitem o convite de ir até a casa de Deus, porque ali são aguardados e desejados.

“Queridos irmãos e irmãs, vocês vieram de longe. Deixaram suas casas, deixaram seus afetos e coisas queridas. Ao chegarem aqui, encontraram acolhimento junto a dificuldades imprevistas. Mas para Deus, vocês são sempre convidados, bem-vindos. Para Ele, para o Senhor, jamais somos estranhos, mas filhos esperados. E a Igreja é a casa de Deus: aqui, portanto, sintam-se sempre em casa”, frisou.

O convite para a casa do Senhor, porém, às vezes pode receber um não, como aconteceu no tempo de Noé, explicou o Papa: “Enquanto algo de novo e impressionante estava para chegar, ninguém percebia, porque estavam preocupados em satisfazer as suas vidas. (…) Não havia espera por alguém, somente a pretensão de ter algo para si, a ser consumido”, acrescentou o Papa, sinalizando os perigos para a fé.

“O consumismo é um vírus que ataca a fé na raiz, porque faz acreditar que a vida depende somente daquilo que você tem, e assim se esquece de Deus que vem ao seu encontro e ao encontro de quem está ao seu lado”. Depender do consumo, enfatizou Francisco, é o verdadeiro perigo que anestesia o coração:

“Então se vive de coisas e não se sabe mais para que coisa; se têm tantos bens, mas não se faz mais o bem; as casas se enchem de coisas, mas se esvaziam de filhos; esse é o drama de hoje. Perde-se tempo nos passatempos, mas não se tem tempo para Deus e para os outros. E quando se vive para as coisas, as coisas jamais saciam, a avidez cresce e os outros se tornam obstáculos na corrida e, assim, se acaba por sentir-se ameaçados e, sempre insatisfeitos e nervosos, se eleva o nível do ódio. É o que vemos hoje onde o consumismo impera: quanta violência, mesmo só verbal, quanta raiva e vontade de buscar um inimigo a todo custo! Assim, enquanto o mundo está cheio de armas que provocam mortos, não percebemos que continuamos a armar o coração de raiva”.

Com o verbo “vigiar”, Jesus então quer despertar todos para esses perigos, afirmou o Santo Padre, ao exortar que é preciso abrir o coração ao Senhor e aos irmãos: “A nós hoje cabe vigiar: vencer a tentação de que o sentido da vida é acumular, desmascarar a mentira de que se é feliz quando se há muitas coisas, resistir às luzes deslumbrantes dos consumos, que brilharão por todos os lados neste mês, e acreditar que a oração e a caridade não são tempo perdido, mas os maiores tesouros”.

Ao final da homilia, o Papa fez referência a duas pessoas que foram linchadas neste sábado, 30, em Beni, no Congo, por uma multidão que as acusava de fazer parte de um grupo armado responsável pela morte de mais de 100 civis em um mês. “Hoje rezemos pela paz, gravemente ameaçada no leste do país, especialmente nos territórios de Beni e de Minembwe, onde irrompem os conflitos, alimentados também do exterior, no silêncio cúmplice de muitos”.

Por intercessão da Beata Marie-Clémentine Anuarite Nengapeta, que antes de ser morta violentamente perdoou o seu assassino, Francisco concluiu: “Peçamos por sua intercessão que, em nome do Deus-Amor, por um futuro que não seja mais uns contra os outros, mas uns com os outros, e se converta de uma economia que serve a guerra para uma economia que sirva a paz. Quem há ouvidos para ouvir, ouça. ”

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