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Artigo

Ministro do trabalho japonês diz que salto alto é "obrigatório" no trabalho

Campanha criada por mulheres associa o uso dos sapatos altos com "dor"; é a segunda grande discussão envolvendo o lugar da mulher na sociedade japonesa em 2019

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04/07/2019 22h22
Por: Redação
Fonte: Conversion
(Crédito: Divulgação)
(Crédito: Divulgação)

O ministro do Trabalho e da Saúde do Japão, Takumi Nemoto, defendeu que os escritórios obriguem as mulheres a usar salto alto no ambiente de trabalho, argumentando que ele é "necessário" e "apropriado" como reação a uma petição que pede o fim do requerimento no país. 

A afirmação veio depois que Nemoto foi perguntando sobre a petição protocolada por um grupo de mulheres que querem que o governo proíba os escritórios a obrigar empregadas a usarem salto alto -- hoje os sapatos desse tipo são requerimentos até para uma mulher japonesa que participa de uma entrevista de emprego.

"Isso é socialmente aceito como uma coisa que, no emprego, é necessária e apropriada", respondeu Nemoto diante de um comitê do parlamento no começo de julho. A petição havia chegado ao ministro um dia antes. A campanha, batizada de #KuToo, um jogo com a palavra "kutsu", que em japonês significa "sapato", e "kutsuu", que significa "dor", foi inspirada no movimento global #MeToo contra assédio e abuso sexual de mulheres.

A campanha foi lançada pela atriz e escritora japonesa Yumi Ishikawa e rapidamente ganhou apoio de milhares de japoneses nas redes sociais. Os defensores da ideia dizem que hoje as empresas no Japão exigem que as mulheres usem salto alto quando contratadas ou ainda em busca de um emprego. 

Enquanto alguns dizem que esse tipo de sapato são o símbolo da modernidade, outros argumentam que é necessário um afrouxamento dos códigos de vestuário no país -- onde os homens também precisam se vestir obrigatoriamente de terno, gravata e sapato social.

Em 2015, o diretor do festival de cinema de Cannes, na França, precisou se desculpar publicamente depois que uma mulher foi proibida de acessar o tapete vermelho por não estar usando salto alto. No entanto, Cannes manteve seu dress code, apesar dos protestos de atrizes como a estrela de Hollywood Julia Roberts, que apareceu no ano seguinte no festival usando sapatos baixos.

Política

É a segunda vez que uma discussão envolvendo o lugar das mulheres na sociedade japonesa. A primeira, no entanto, foi mais positiva para elas: há dois meses, Misuzu Ikeda -- em uma rara mudança na política do país -- foi a primeira mulher eleita para a assembleia de sua cidade, Tarumizu, no sudoeste da ilha, na província de Kagoshima, a 1,1 mil km de Tóquio.

Ikeda terminou a eleição na terceira colocação entre 17 candidatos para 14 assentos no parlamento local, cuja cidade -- apesar do reconhecimento oficial -- possui uma pequena população de 15 mil pessoas. Percebendo que ela era a primeira mulher em 61 anos de história do município, o jornal Asahi Shimbun publicou um texto afirmando que sua chegada à cadeira mostra um progresso da sociedade japonesa. A eleição também marcou a primeira vez que uma candidata mulher lutou por um assento no parlamento de Tarumizu em vinte anos, e a primeira vez que duas mulheres concorreram à legislatura. A outra candidata, Rieko Takahashi, não foi escolhida nas urnas.

Seis outras mulheres foram eleitas em cidades maiores do Japão nas eleições que ocorreram no final de abril -- quebrando o recorde anterior de quatro, em 2015. O número de mulheres eleitas para assembleias municipais japonesas alcançou 1.239 no total -- outro recorde --, de acordo com o jornal Mainichi Shimbun.

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