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14/02/2019 às 07h00 - atualizada em 13/02/2019 às 20h33

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Redator

Deodápolis / MS

Atriz e cantora Bibi Ferreira morre aos 96 anos no Rio
Ela era filha do ator Procópio Ferreira e da bailarina argentina Aída Izquierdo
Atriz e cantora Bibi Ferreira morre aos 96 anos no Rio
Foto: Estadão

Morreu nesta quarta-feira, 13, a atriz e cantora Bibi Ferreira, aos 96 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. A artista havia anunciado a aposentadoria dos palcos no ano passado, quando encerrou a turnê Por Toda a Minha Vida. 

Em 2018, Bibi chegou a ser internada com um quadro de desidratação. 

O ator e diretor Miguel Falabella foi um dos primeiros a confirmar a notícia por meio de suas redes sociais. "Foi-se a imensa Bibi Ferreira. Devo a ela meu primeiro encantamento com o palco assistindo sua perfomance em Alô Dolly quando era um menino de oito anos", escreveu no Instagram. "Obrigado por tudo, mas principalmente obrigado por honrar o palco sempre."

Além de Miguel, outros amigos e personalidades já se manifestaram sobre a morte da atriz.

Bibi Ferreira estreou no teatro com 24 dias de vida

Pelos dados oficiais, Bibi Ferreira tinha 77 anos de carreira. Mas a atriz e diretora, que morreu aos 96 anos de idade, estava no teatro havia muito mais tempo. Sua estreia ocorreu ainda aos 24 dias de vida – quando foi levada à cena para substituir uma boneca que havia sumido – e ela, desde então, esteve sob os holofotes. Dizia adorar as luzes. E, fosse cantando, fosse representando, havia sempre um próximo espetáculo nos planos de Bibi.

A carreira praticamente centenária, não lhe tirou, contudo, o nervosismo de iniciante. “Sabe que eu ainda sinto uma angústia naqueles instantes antes de entrar em cena? Aquele lugar, depois que você sai do camarim, e ainda não está no palco. Aquele cantinho... É ali que eu sinto um terror”, ela relatou em entrevista ao Estado, quando completou 90 anos.

Falar com Bibi era estar diante do teatro brasileiro e de suas pequenas grandes revoluções. Filha de Procópio Ferreira (1898-1979), ela carregava do pai o amor pela cena e o pendor para o sucesso – a família vivia da bilheteria de seus espetáculos e não podia se dar ao luxo de um fracasso. Mas, curiosamente, foi Bibi uma das primeiras a suplantar o modelo de atuação que Procópio representava. Considerado o maior artista de seu tempo, ele reinava soberano quando as cortinas se abriam. Em cena, fazia o que bem queria, ajustava os textos ao seu talento, relegava todos os outros ao lugar de coadjuvantes. Tratava-se de um tempo em que o diretor não passava de mero ensaiador e todo o público estava interessado, unicamente, em ver o primeiro ator brilhar.

Bibi era filha da tradição (do teatro de comédia e do teatro de revista, onde trabalhara sua mãe), porém representante da modernidade. Nos anos 1940, tudo começava a mudar. O Teatro Brasileiro de Comédia chegava com novas ideias: o ator precisava decorar os seus diálogos, haveria um encenador que decidiria a concepção das montagens, sofisticava-se o repertório. A jovem Bibi se alinhava a essa corrente. À sua presença arrebatadora, acrescia uma técnica rara para os padrões da época. Ainda menina, integrou o Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e, em 1946, foi estudar na Royal Academy of Dramatic Arts de Londres. Ao voltar, surpreendeu a crítica com sua primeira direção em Divórcio (1947) e fez ainda mais sucesso com a encenação de A Herdeira, de Henry James (1952).

Na sala do apartamento onde morava, no Rio, a atriz guardava um retrato emoldurado do pai. Mas não creditava apenas a ele as lições aprendidas. Era descendente de cantores líricos: “Meus bisavós se conheceram no coro do Teatro Solis, de Montevidéu”, contava. “E minha avó, filha deles, já acordava cantando árias de ópera. Cantava o dia inteiro”. Bibi também cantava o tempo todo. E cantava sem perceber. Parecia que cada lembrança de sua vida era acompanhada por uma canção, que ela desfiava a melodia como se fosse parte da história a ser contada.

Foi no teatro musicado, aliás, que Bibi deixou sua maior contribuição. Será lembrada por suas grandes atuações no gênero, como em My Fair Lady, (1964) e em O Homem de La Mancha (1972) – ambos com Paulo Autran. Outra parceria profícua na carreira ela estabeleceu com seu quarto e último marido, Paulo Pontes. Dele, dirigiu o musicalBrasileiro: Profissão Esperança, obra de imenso sucesso, e protagonizou Gota D’água (1975). A peça escrita por Pontes e Chico Buarque deu à atriz a oportunidade de viver uma personagem de coloração trágica. Talvez Joana tenha sido sua mais memorável interpretação – ninguém nunca superou sua versão para aquelas canções e ela ainda sabia, 40 anos depois, seus diálogos de cor.

Bibi dizia que o segredo da saúde era a vida regrada. Não fumava, não bebia. “Não que eu seja contra”, ela justificava. Mas seus vícios eram outros: Um par de sapatos sempre muito altos – para compensar a baixa estatura –, batom sempre vermelho, um copo de Coca-Cola, que ela ia tomando devagarinho enquanto conversava, e o trabalho. A grande atriz não pensava em parar. Ela ainda precisava voltar a viver Piaf, tornar a cantar Frank Sinatra, viajar pelo mundo. Estar sempre e mais uma vez no palco.

Histórias e canções

Em 2012, quando tinha 90 anos, a atriz recebeu o Estado em sua casa para falar sobre Bibi, Histórias e Canções, show que festejou os maiores sucessos da artista, com um repertório que incluía de Noel Rosa a Edith Piaf .

 

FONTE: Terra

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