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Governador diz que 21 presos foram transferidos após ataques e defende endurecer medidas contra celulares

Camilo Santana afirmou que a segurança nos presídios foi reforçada para evitar a entrada de celulares e outros materiais ilícitos

09/01/2019 08h44Atualizado há 5 meses
Por: Redação
Fonte: G1
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Veículos públicos e particulares foram incendiados por criminosos no Ceará. — Foto: SVM
Veículos públicos e particulares foram incendiados por criminosos no Ceará. — Foto: SVM

O governador Camilo Santana afirmou nesta quarta-feira (9) que 21 presos de facções criminosas que atuam no Ceará foram transferidos para presídios federais, após uma onda de ataques que atinge o estado há uma semana. O chefe do executivo estadual disse também, em entrevista à Globo News, que o estado vai endurecer as medidas contra a entrada de celulares nas unidades prisionais. A medida de transferência dos detentos já havia sido anunciada pelo governo do estado.

Até a madrugada desta quarta-feira, foram 164 ataques confirmados em 41 dos 184 municípios cearenses. Os criminosos incendiaram ônibus, transportes escolares, prédios públicos e comércios na capital e no interior. A Secretaria da Segurança Pública do Ceará confirmou que 185 suspeitos de participação nos crimes foram detidos.

Durante a entrevista, Camilo Santana relatou que esses ataques criminosos no Ceará são uma reação a uma "ação forte que o governo está realizando dentro do sistema prisional". Segundo o governador, os líderes de facções criminosas que estavam nos presídios do Ceará foram transferidos para unidades federais em outros estados. O Governo Federal já havia oferido 60 vagas nos presídios que administra para receber criminosos que atuam no Ceará.

"Já foram transferidos 21 presos e nós já estamos trabalhando, inclusive, para realizar novas transferências de presos para presídios federais. Isso tem sido ações feitas pelo governo do estado e pelo sistema prisional. O trabalho é transferir presos, líderes de grupos criminosos", afirmou.

Ações nos presídios

Segundo Camilo, o governo está mudando a política de controle e segurança nas unidades penitenciárias, principalmente para evitar a comunicação dos detentos com as ruas. O governador afirmou ainda que o maior rigor no sistema penitenciário faz parte de um plano trabalhado em três eixos na área da segurança pública, iniciado após uma crise no sistema penitenciário, em 2016.

"Dobrei o número de agentes penitenciários, e agora no fim do ano tomei a decisão de que era uma área que precisava de uma intervenção mais forte do Estado. A verdade, é que temos leis muito frouxas hoje no Brasil. Infelizmente, a polícia prende o bandido, mas ele continua a comandar o crime de dentro do presídio. O que eu estou fazendo é cumprir a lei dentro dos presídios", disse.

Desde o início da onda de violência, 191 detentos foram autuados pelos crimes de desobediência, resistência e motim dentro das unidades prisionais do estado. Os indiciamentos ocorreram nas casas de detenções do complexo prisional de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. Mais de 600 celulares, drogas e armas foram apreendidas nas cadeias e presídios do estado.

Motivação dos ataques

Os atentados começaram após uma fala do novo titular da Secretaria de Administração Penitenciária do estado, Luís Mauro Albuquerque, que afirmou que iria acabar a entrada de celulares nos presídios e encerrar a divisão de presos nas detenções conforme a facção criminosa a que pertencem.

O secretário da Segurança Pública do Ceará, André Costa, afirmou que anomeação do novo gestor das unidades prisionais motivou o início dos ataques. Em pichações em prédios públicos e residências, os criminosos pedem a saída do secretário da Segurança Penitenciária, Mauro Albuquerque. "A criminalidade já conhecia o trabalho dele", afirmou André Costa.

'Não vamos recuar', diz Camilo

O governador Camilo Santana já havia respondido que não iria "recuar um milímetro" das medidas contra organizações criminosas. Para combater a onda de ataques, o governador do Ceará, Camilo Santana, pediu apoio ao Governo Federal e ao governador da Bahia, Rui Costa, que enviou 100 policiais militares baianos ao Ceará.

Camilo afirmou também, em outra entrevista, que o sistema penitenciário do estado passa por um processo de mudança e que o novo secretário as ações do novo secretário "são necessária para cumprir a lei". O chefe do executivo estadual também voltou a afirmar que país necessita de um sistema integrado de combate ao crime.

"Eu sempre defendi que a questão da violência no Brasil precisa ser uma questão nacional. Precisamos de um plano, uma estratégia, uma pactuação, centros integrados de inteligência que possam passar informações de um estado para outro. Porque a dinâmica do crime se transnacionalizou. E quem tem que coordenar isso é a União, não pode um Estado sozinho coordenar. Quem tem que ter esse papel é o Governo Federal", disse o governador em entrevista ao Sistema Verdes Mares.

Na terça-feira (8), o governador se reuniu com a cúpula da Segurança Pública do Estado para traçar ações contra a criminalidade. As investigações estão concentradas na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). “Depois de me reunir com a cúpula da segurança durante a manhã, circulei pelas ruas de Fortaleza durante à tarde para conversar com nossos policiais, que têm sido guerreiros no combate ao crime", disse Camilo Santana.

Além disso, o governo do estado nomeou 373 novos policiais militares, que haviam sido aprovados no concurso público e passaram pela formação. Uma nova turma de 220 agentes penitenciários também recebeu a nomeação, antes prevista para o mês de março.

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