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15/12/2018 às 09h42

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Redacao

Deodápolis / MS

'Vamos pra rua porque estamos de saco cheio', diz francês sobre a revolta dos coletes amarelos
Professor explica as insatisfações dos franceses, como a queda do poder aquisitivo. Nos protestos que deixaram o país em ebulição, mais de 4 mil pessoas já foram detidas desde 17 de novembro.
'Vamos pra rua porque estamos de saco cheio', diz francês sobre a revolta dos coletes amarelos
‘Colete amarelo’ protesta em Paris, em 1º de dezembro — Foto: Alain Jocard / AFP

Há quase um mês a França tem visto uma série de manifestações que reúnem milhares de coletes amarelos contra o governo de Emmanuel Macron. Mais de 4 mil pessoas foram detidas e centenas ficaram feridas em confrontos com a polícia. Apesar do recuo do governo na cobrança de um imposto sobre o combustível, que motivou o início dos protestos, eles voltam às ruas neste sábado (15).

“Vamos pra rua porque estamos de saco cheio. O movimento não reúne só aqueles que protestavam contra o preço dos combustíveis. Há uma verdadeira cólera contra a queda no poder aquisitivo da classe média, a injustiça fiscal, a desigualdade entre as grandes cidades e as do interior”, afirmou ao G1 o professor Mohamed Lyia, de 40 anos, que mora na região de Porte d´Italie, em Paris.

Sem as tradicionais articulações dos partidos políticos ou sindicatos, a mobilização que começou nas redes sociais chamou a atenção porque não tem lideranças formais.

“Essa mobilização até agora é um pouco indecifrável. A gente não consegue identificar quem são mesmo os coletes amarelos. Todo mundo participa da manifestação. É uma síntese da sociedade francesa: tem desempregado, aposentado, professor”, explica Mohamed Lyia, que participa dos atos na capital francesa desde o início.

“Chega um momento que a gente tem uma necessidade de sair, de expressar uma irritação. Isso aconteceu no Brasil, agora [ocorre] na França, como aconteceu na época da primavera árabe. Somente esse tipo de manifestação que faz as coisas avançarem”, disse.

O primeiro protesto, em 17 de novembro, reuniu cerca de 290 mil pessoas. Muitas portavam o colete amarelo fluorescente –item de segurança obrigatório nos veículos franceses–, que acabou virando símbolo da nova onda de protestos.

Desde então, a França enfrentou uma série de bloqueios de rodovias, protestos de motoristas de ambulâncias e manifestações de estudantes secundaristas.Lyia observa que há nas manifestações pessoas de diversas orientações político-ideológicas, como simpatizantes do Front Nacional (da polêmica líder ultranacionalista Marine Le Pen), do Partido Socialista e da aliança de esquerda “França Insubmissa” (movimento de esquerda liderado por Jean-Luc Mélenchon que se destacou nas eleições de 2016).

Ecologia

O movimento surgiu quando o governo francês anunciou a criação de um imposto sobre os combustíveis com o intuito de desestimular os franceses a usarem o transporte individual.

Para Mohamed, o argumento do governo de taxar os combustíveis para contribuir com o meio ambiente não foi eficaz.

“Ecologia é algo essencial sim, mas a gente não pode fazer ecologia sem levar em conta o fator social. A gente não vai conseguir sensibilizar as pessoas sobre ecologia se a geladeira estiver vazia”, afirmou.
“Acho que os franceses estão prontos para uma política ecológica revolucionária, porque cada dia que passa, é um dia que a gente perde. Mas é preciso fazer isso com plano social. Não só criar imposto, imposto, imposto”, completou.

FONTE: Globo

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