2010-03-03 - 21:27:00 - DECOM
Produtores rurais irão debater Desenvolvimento Sustentável no interior do Estado
Agroindústria, fruticultura, reflorestamento, piscicultura, produção de carne e leite e sistemas agroflorestais. Estes são os temas que serão discutidos na próxima semana em seminários que irão ocorrer em três cidades rondonienses: Teixeirópolis, Vale do
Agroindústria, fruticultura, reflorestamento, piscicultura, produção de carne e leite e sistemas agroflorestais. Estes são os temas que serão discutidos na próxima semana em seminários que irão ocorrer em três cidades rondonienses: Teixeirópolis, Vale do Paraíso e São Miguel do Guaporé, nos dias 04, 05 e 06 de março, respectivamente. Organizados pelas prefeituras locais em parceria com a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Regularização Fundiária (Seagri), Emater e Câmaras de Vereadores, os eventos, que são voltados para associações, cooperativas, sindicatos rurais, produtores e pequenos empreendedores, têm o objetivo de discutir políticas públicas para o desenvolvimento municipal.
Um dos temas que será discutido é o reflorestamento. Conforme ressalta Carlos Magno, secretário estadual de Agricultura, quando se trata de madeira, os grandes investidores tem obtido excelentes resultados financeiros com a prática de reflorestamentos. Para Magno, essa também é uma saída para os pequenos produtores de Rondônia que podem investir no plantio de espécies como Guanandí, Teça, Pinho Cuiabano, Eucalipto e Mogno Africano. De acordo com o que ele disse o produtor além de ajudar na preservação do meio ambiente, de quebra, ainda faz um investimento rentável e de futuro, a chamada poupança verde.
Segundo ele, a partir de quatro anos de plantio, os produtores já começam a obter lucro com o reflorestamento. Sem contar que várias dessas culturas, aos 20 anos, apresentam ótimos resultados, chegando a produzir 500 m³, enquanto que um plano de manejo produz até 30m³ na floresta nesse período. Carlos Magno comentou também que “os bancos oficiais possuem linhas de crédito com até 20 anos para pagar”, ressaltou.
Outro ponto que será abordado nestes encontros, diz respeito a monocultura. Segundo Carlos Magno, secretário estadual de Agricultura, a monocultura pode até dar lucro, mas é uma alternativa econômica instável. O secretário citou como exemplo a crise do leite provocada pela inesperada queda no preço do litro pago ao produtor. Surpreendidos com a brutal redução de valores, os produtores rondonienses sofreram imensos prejuízos. “É pra evitar situações como essas que estamos propondo esse amplo debate, para podermos colocar em pauta todas as potencialidades de um produto, seja ele leite, carne, grãos ou frutas”, pontuou Magno.
Preconceito
Outra questão que será abordada nos seminários é a valorização dos produtos regionais. O agrônomo Haroldo Santos, responsável pelo setor de agroindústrias da Seagri, citou como exemplo a questão do açaí. Segundo ele, o produto só ganhou notoriedade depois que passou a ser valorizado nos EUA. “Temos que parar com essas atitudes típicas de quem é subdesenvolvido: o preconceito com a própria produção. Nós temos matérias primas que podem gerar centenas de empregos nos municípios”, disse ele. Conforme o agrônomo, o que falta é a sociedade discutir junto com as autoridades competentes o que melhor se aplica a cada região. E é justamente para isso que vai servir os seminários municipais de desenvolvimento sustentável. Esse é o primeiro passo.
União
Para o secretário adjunto Francisco Evaldo de Lima, o passo seguinte a estes encontros é organizar as cadeias produtivas. Evaldo disse que um dos caminhos que podem levar ao crescimento é a união de esforços e a soma de capacidades produtivas. “Até mesmo grandes empresas recorreram a esse sistema para se fortalecer, porque não os pequenos?”, comentou o adjunto. Ele citou como exemplo o tomate que é produzido em Rondônia e segue para Manaus. “Se o produtor daqui se organizar para atingir o padrão de qualidade que os supermercados exigem, nós deixaremos de consumir tomate de São Paulo, para consumir o que é da terra e isso será mais fácil se os produtores se organizarem em cooperativas ou associações rurais”, complementou Evaldo.
“Temos tudo para produzir. Só falta diretriz para o que pode ser feito para esse fim. O empreendedor precisa se conscientizar que há abertura de mercado e tem linhas de crédito sobrando. O que falta é organizar a produção e a comercialização. Não há mais espaço para o individualismo e nem para a desorganização”, concluiu o secretário adjunto de Agricultura.
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